domingo, 14 de agosto de 2022

nem só de livros...

- Emily em Paris ( porque queria tantooooooooo ir ) e de modos que assim vê-se qualquer coisa;

- Guia Astrológico para Corações Partidos ( porque é em italiano);

- A criada ( porque é impossível ver o 1º episódio e ficar indiferente);

- A Anatomia de um Escândalo  ( porque está muito muito bem feito);

- Fidelidade ( porque é em italiano, não é assim muito bom, mas há um escritor e vá..passa!);

- Elvis de Baz Luhrmann ( um grande filme, e um filme grande...muito bom e daqueles que depois de sair do cinema se vai pesquisar o que é verdade e mentira e ohhhhhhhhhhh ); 

- O Preço da Fama, titulo original La rançon de la gloire...de quem?? Charlie Chaplin que depois de morto foi raptado. Hilariante e verdadeiro. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

biblio*

 " Em suma, as coisas do corpo correm como um rio; as coisas da alma não passam de sonho e de fumo. A vida é uma guerra e uma estranha passagem; e, depois da fama, o esquecimento." - Marco Aurélio Pensamentos.

 Há  nos livros e nas palavras um poder. O poder de esclarecer, de entreter, de ficar maravilhado com uma história, com os seus personagens, com uma realidade utópica ou distópica, com as evidentes ou menos claras reflexões filosóficas,  de misturar heróis, mitos, deuses e lendas, de colocar ou retirar de um tempo a memória e o esquecimento. 

* A Utopia - Thomas More (relido);

* As Intermitências da Morte - José Saramago;

* A Mão e a Luva - Machado de Assis;

* Viagem a Portugal ( excertos) -José Saramago;

* O Silvo do Arqueiro - Irene Vallejo;

*As Memórias Póstumas de Brás Cuba;

* A Pérola - John Steinbeck;

* Rio do Esquecimento - Isabel Rio Novo.

Há entre tudo isto a realidade que nos espanta pela sua loucura, incredulidade de estarmos a viver, a assistir, a presenciar o pior dos males da Humanidade - a guerra. Uma, entre as várias que existem no mundo, remetendo ao sofrimento os povos, à aniquilação de culturas, à destruição, ao calar e ao falar, em suma à falta de liberdade. E como disse José Milhazes: a História repete-se e porquê? porque não a quiseram ler e estudar? porque a revistaram de falsidade? porque a ignoraram? Porque a geo-politica-estratégia-financeira-militar é o geo-negócio do poder e do dinheiro de muito poucos mas que controlam o mundo.

* Breve História da Rússia - José Milhazes ( ainda em curso).

" Não pensem que um escritor consciencioso escreve uma linha só que seja com o intuito de encher papel; que invente um episódio para seu recreio: tudo aqui vem a propósito, desde o facto mais somenos ao pormenor de maior vulto, e os leitores que esquadrinham os fins e suspeitam uma ideia em cada palavra impressa acharão neste romance demonstrações de que os grandes acontecimentos da vida, que fazem pasmar o mundo são como os nevões: um floco de neve que rola do cimo das montanhas ao chegar às fraldas destrói casas e plantios, embrulha vidas humanas e rompe o equilíbrio das coisas." cap6.p.93 - rio do esquecimento.

* do grego - livros

quarta-feira, 6 de julho de 2022

vai o viajante #21








O viajante está ansioso por ir, precisa de se perder na paisagem, encontrar as marcas do tempo, do homem, as criações antigas e as mais recentes. Assinalou no seu guia locais, apontou os nomes e as moradas. Não se quer perder, ainda que haja sempre espaço para a surpresa e para o engano. Na primeira paragem Tongóbriga – Marco de Canaveses – aldeia de freixo e aldeia/ escola profissional de arqueologia, foi recebido por um gato. O viajante durante algum tempo não os apreciou, mas agora eles aparecem-lhe à frente, deitam-se e rebolam e esperam a festa e o viajante não resiste. Há sua frente estão 50 hectares de ruínas arqueológicas descobertas nos anos 80, como tantas outras, que revelam a presença pré romana e romana: existência de povoados castrejos, de um balneário, termas públicas, domus, necrópoles, muralha e o mais impressionante - o coração da cidade romana, que não deixa de ser os centros/ pontos de encontro dos cidadãos das nossas cidades, aquilo que para os gregos era a ágora e para os romanos o forúm. Este fórum, apesar de não se encontrarem referências a este nos autores mais clássicos, provavelmente a localização da cidade entre Emerita Augusta e Bracara Augusta, ditou a sua dimensão 139 m de comprimento por 68,5 de largura. É um espaço amplo, ermo, verdejante e que permite a todos os viajantes, viajar no tempo. Ouvir em vez do cantar dos pássaros o burburinho de uma cidade, o encontro de pessoas para o mercado, para irem ao templo, para cumprirem rituais de bem-estar nas termas. Sempre que o viajante pensa na civilização e no vasto império romano pensa como foi possível manter coeso e unido “meio mundo”, tendo presente todos os motivos teóricos que a isso conduziram e ainda que sem incorrer em anacronismos pensa na europa nos nossos dias. Além disso há sempre uma dualidade os romanos conquistaram, dominaram, eliminaram, mas criaram leis, hábitos, construções, que são a nossa herança patrimonial e cultural. Apetece ficar no fórum mas deve seguir. Fica com uma pequena mágoa de ver o espaço musealizado com vitrines numa camada de pó daqueles em que se poderia escrever veni, vidi, vici sem qualquer dificuldade, o pouco entusiamo da “vigilante/rececionista”, sendo que já se surpreendeu tanto com “vigias”. Aproveita que está no Marco e pensa na obra do arquiteto Siza Vieira, que na cidade criou um templo da atualidade. Não devia ter ido. Todas as vias vão dar a Roma, a do viajante vai ter a uma vila Real.

Na cidade também se celebrou o S. João e nas ruas do centro não faltam bandeirinhas coloridas a lembrar os santos. O viajante não pretende demorar-se, almoça, segue por indicação uma rua do centro onde encontra uma igreja dedicada a S. Pedro. O exterior barroco lembra os concheados de André Soares e no interior destacam-se os painéis de azulejos hagiográficos do santo. Quase se esquecia, mas as suas notas levam-lho ao museu da vila velha. No caminho passa o liceu com o nome do primeiro escritor profissional português Camilo Castelo Branco que durante algum tempo viveu numa aldeia daquele concelho. Há que tirar partido destes nomes que dão maior credibilidade às ruas, às escolas, às cidades. Segue e encontra o que tinha vindo procurar a exposição de arte contemporânea A Borboleta Azul de Carlos Augusto Motta. Desde o museu há um pequeno miradouro e os supermodernos passadiços. Ao fundo o cemitério de origem romântica, criado no campo sagrado de um convento repleto de jazigos graníticos e na parede exterior um poema de saudade: São de nada/ tempestades/ante a falta/ que me fazes – david mourão ferreira. O caminho continua já.


domingo, 24 de abril de 2022

48 anos de Abril

 De vez em quando leio,  o que está para trás, neste blogue género diário. Há datas que tem sempre uma entrada. Que estão sempre presentes, que não podem deixar de ser escritas ou preenchidas com um a imagem, uma reflexão, um cravo. É impressionante ver, neste exercício, como as opiniões e os contextos se alteram em pouco tempo.

Voltámos a Abril. Volto sempre.  Ainda ontem pintava cravos junto ao coreto, ainda ontem ia em manifestações com os meus pais, ainda ontem a democracia era recente e quando atingiu a maioridade  os partidos e comentadores reclamavam a quem pertencia , ainda ontem as ruas estavam vazias, a  pandemia era o tema central da nossa vida. Ainda ontem se questionava a abertura da assembleia e as comemorações e ainda ontem se anunciava a proximidade da meia década da revolução, e do desaparecimento dos capitães de abril*. Neste amadurecimento ainda há tanto por tratar, ainda há tanta herança de um tempo de miséria, censura, desigualdade, proibição. E entretanto, surgem outros protagonistas, um contexto de guerra na europa, que jamais imaginamos. Um partido que lutou pela liberdade e que agora se afunda numa ideia pouco condizente com os ideias de abril. 

É um outro tempo, uma resistência de pressão, onde o poder da comunicação e do  engagemnet é tudo. Este é o tempo da rapidez da informação, da solidariedade entre a humanidade, mas também do esquecimento, dos egoísmos pessoais, da ganância de um homem e também dos estados e de algo que sem tempo, nem espaço é sempre atual e muda e molda a História - o  poder.  Neste sentido,  o povo da terra da fraternidade não se pode desligar da sua política que é antes de tudo, pensamento e por isso expressão de cultura. « O confronto ideológico representa muito mais do que a luta de contrários, da qual uns saem vencedores, e os outros vencido. Só na interrogação, na pesquisa, na abertura à pluralidade, será possível construir um pensamento autónomo. Esse, uma vez formado, determinará então a prática, a ação*. »

somos filhos da madrugada e disso nunca nos podemos esquecer ou demitir.  

Viva o 25 de Abril. Viva a Liberdade.

* o implicado - salgueiro maia

*as sombras de uma azinheira - álvaro laborinho lúcio


é tudo e só isto*

 ~
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou-Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu-Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse-lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».

* Jo 20,19-31
* a incredulidade de s.tomé - caravaggio 1600
*o mais belo texto e imagem da representação da dúvida, do mistério, da humanidade, do dom da fé.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

sejam livres as palavras e as cores

Na Ágora os gregos combatem,

Mantêm a honra e o desgosto

Escondidos na harmonia da filosofia.

Dois irmãos brincam no Senado,

Lobos uivam ao redor do Coliseu

E os templos imortais discutem

A superioridade de um ser.

 

Em Alcobaça descansa Pedro

E o seu amor por Inês

No túmulo da bela história

Que o novo reinado assassinara.

 

E nas paredes das Catedrais

Já não dormem os anjos,

Pela luz que atravessa os redondos vitrais

E pelo barulho dos altos sinos

Que se assemelham aos apelos dos que sofrem

E revoltam, trabalham, defendem e desejam

Nas praças, nos palcos,

Quiçá nos salões dos palácios,

Debaixo do Sol divinal,

Pobres das sombras

Que as divindades não conhecem.

 

Luxúria francesa das valsas,

Das chics festas e dos bailados,

O amor quente e maltratado,

Dos chás ingleses sem pinga,

O ouro passa a carvão

E o carvão ao vapor

E o vapor à imensidão da Luz

Que se estingue no seio de uma mulher.

 

A água das naus escorre na forma de suor

Na face dos que na Gare se escravizam.

Acordos são tratados,

Muros derrubados,

Culturas arrebatadas,

Sociedades confinadas.

 

As borboletas novamente queimam

E perde-se a história nos arquivos,

Que ardem e cegam o que é ignorante.

 

Viva aquele que pensa,

Que salva a pátria,

Que castiga e mata.

Sejam livres as palavras e as cores

As algazarras e os espetáculos

E que ao efeito das borboletas estejamos condenados.

 Efeito Borboleta - Marta Silva

domingo, 13 de fevereiro de 2022

a espantosa realidade das coisas #3


e nisto deram-se umas eleições legislativas sem a minha mínima motivação para assistir a debates ou momentos políticos, tirando os analisados pelo RAP ou pela junta de boys. Na realidade achei que era tudo o que não precisamos no momento: crise politica, chumbo de orçamento, pandemia em alta, gestão de covid, depois do natal, neste tempo sem chuva, sem frio, sem inverno, com o presidente comentador a aparecer a falar muito mais do que o que devia e a provocar aquilo a que chegamos. Maioria utilitária. aquele coisinho cheio de peito e de vigaristas mais aquele povo que o acha iluminado com tiques de déspota sem nenhuma razão. Há que manter a esperança na democracia, na cidadania iluminada com a convicção que há passados que não podemos repetir pese embora a injustiça, as desigualdades, a rapidez com que geram opiniões, sensacionalismos e esquecimentos.  Há que continuar a fazer valer as palavras, a arte que convoca o sagrado, a música, os convívios, a disponibilidade dos ocupados, a beleza da natureza e espetacularidade do universo. tudo isto para chegar à espantosa realidade, das pequenas coisas: 

filmes: Adam - é como um quadro do renascimento realista e flamengo com cores pastel outras saturadas, em movimento, que trata o entendimento feminino numa discreta cumplicidade moral entre mulheres. o tempo da vida e da morte entre ruas sinuosas. é calmo, intenso e inesquecível. 

séries : Alice aos Papeis e o covid "obrigou-me " a ver a Georgina, um filme de uma senhora que transformou um castelo escocês numa moradia americana em tempo de natal e num género muito diferente VIVE emocionante e útil para compreender o caminho da acessibilidade e só para manter presente o italiano DOC. 

livros : Todos os Nomes - neste ano de centenário, voltei ao meu primeiro livro de Saramago de onde sublinhei em 2008  « ainda que os relógios queiram convencer-nos do contrário, o tempo não é o mesmo para toda a gente.» reencontrei o Sr. José, o seu tempo, a sua conservatória, o arquivo, as prateleiras, a sua aventura, o teto, a identidade. tão bom.  A Máquina de Fazer Espanhóis de Valter Hugo Mãe, que autografou o livro ( ainda em curso) sobre como tratamos os que envelhecem. Para acompanhar o livro o pintor Juan Domingues transformou as palavras em imagens na outra máquina de fazer espanhóis. 

música: ouvi muita rádio, continuo a achar um meio de comunicação fantástico. hoje que é dia internacional da rádio tenho pena ter uma voz tão fanhoosaaaaa, que de contrário era pessoa de gostar de ter um programa de rádio tipo na antena minho. ahhhhh depois lá veio a 3ª vez de assistir ao concerto de Bryan Adams, a cantar muito bem e divertido e super nostálgico com os tempos pré covid, infância em cascais e tal e tal e black pumas -colors e bateu uma cindy lauper e o seu time after time.

« A história não são as memórias dos vencedores(...) São, as memórias, dos sobreviventes, dos quais a maioria não é vitorioso nem vencido.» - Julian Barnes - O sentido do fim.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

here's to joy


and the light it brings

a espantosa realidade das coisas #2

Este blogue já viu tantas passagens de ano, aqui já fiz desejos, já critiquei os mesmos,  mais os seus festejos, o foguetório, as promessas; já fiz reflexões profundas sobre o gosto que tinha em estrear um nova agenda, um novo calendário; já lembrei passagens de anos extremamente felizes e outras angustiantes em que a esperança de um novo calendário nada alterou; já esmiucei opiniões de pensadores e com eles concordei. E nisto chegamos a 2022. E não desejo nada, não prometo nada, não prato pratos mas alegre-mo com as cores no ceú estrelado e fico espantada com a realidade das pequenas coisas, com um lamento profundo por quem já não está e por quem vai  desperecendo « porque o tempo da nossa infância não se cansa de acabar. ficamos sozinhos.*» 

este blogue tem a grande função de acompanhar, de relembrar, de não deixar esquecer as pequenas realidades que gosto e a maior parte das vezes é tão bom voltar aqui e lamento (só um bocadinho) não ter apontado algumas coisas desde agosto, porque tive que aproveitar para refletir e escrever sobre a fotografia como lugar de memória, e tanto que me perdi na memória individual e coletiva de Halbawchs, mais a câmara clara de Barthes, os ensaios de Sontag e Whitman...e tantas coisas interessantes sobre a fotografia e que memórias estas despoletam.

 mas ainda é tempo, porque tirei umas fotos e fiz uns shazam ( god bless)

livros: jangada de pedra ( josé saramago), o infinito num junco (irene vallejo) , a cidade e as serras (eça de queiroz), sakura ( catarina fernandes) e todos os artigos, ensaios e teses...para a tese.

música : sou das que não consegue ler e escrever com som, distraí-me logo mas continuo a ligar o rádio nas três da manhã e no extremamente desagradável, mais uma ou outra que os miúdos ouvem e curtem e a fazer shazam de músicas que passam em séries ou em filmes como esta de uma série belga do canal 2 - unidade 42 - jasper steverlinck.  e outras do canal 2 que agora não me lembro o nome. olha havia de haver um shazam para isso também!

filmes: tirando a fase dos deste natal nem estou lembrada de nenhum assim sem ser repetido..daquelas horas quando o sono está a chegar!!upsssss, mas vi alguns episódios do reset da bumba e adorei o do Hugo Van der Ding e do Valter Hugo Mãe*

e depois antes do ano passado ter chegado ao fim vi luzes de natal, muito  mar e o jardim de sophia, a restaurada igreja de santa clara..e mais qualquer coisa absorvida nas redes sociais.

é isto. continuemos.

« o blog vai iluminando o caminho do seu autor. é essa a sua virtude» - josé saramago

domingo, 1 de agosto de 2021

o dia inicial

No dia 8 de abril de 2011, estive com Otelo Saraiva de Carvalho na escola em que estava a dar aulas, no âmbito das celebrações do 37º aniversário da revolução, onde este fez a apresentação do seu livro O Dia Inicial e nos falou como foram aquelas horas essenciais para a libertação do país de uma longa ditadura. Quando contei sobre isso aqui no blogue referi as mil e uma vezes em que usou a expressão pá, camaradas pá e o abraço de camarada de guerra colonial na Guiné entre Otelo e o meu pai.  Nestes tempos estranhos em que se começa a preparar os 50 anos da revolução, ouvi no outro dia num programa de rádio, alguém comentar sobre a importância do dia da revolução, e como  essa celebração começará a ser vivida de outra forma, quando os capitães de Abril já não estiverem aqui. Em pensamento concordei imediatamente. E agora se vê, que no final dos dias, apesar de caberem tantas vidas dentro de uma só pessoa, não há silêncio, nem luto nacional que deveria ter sido para Otelo e para todos os que tornaram limpa uma madrugada livre na qual hoje todos vivemos.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

vai o viajante #20

A viagem continuou do outro lado do mondego. Ver tanta gente reunida tendo a música como união é sempre comovente. Trocaram-se algumas palavras com quem vinha de longe, enquanto se via a squadra azurra na pizzaria, tutto molto italiano, portanto. E com toda a segurança, jamais imaginada em outro tempo, lá se tomou lugar. Entrou o coro, a orquestra, o cantor. Acompanhou-o uma soprano para os duetos de algumas árias. Quase no final Mariza e o ohhh gente da minha terra criou o arrepio geral. Foi bonito, emocionante e acabou rápido demais. A viagem continua. A música também, sempre.

Guarda questa terra che
Che gira insieme a noi
Anche quando è buio
Guarda questa terra che
Che gira anche per noi
A darci un po' di
Sole, sole, sole

terça-feira, 27 de julho de 2021

vai o viajante #19







O viajante não o tem sido por força desta circunstância digna de um romance distópico ou de um filme meio apocalíptico. Pois confinou-se, desinfetou-se, desconfiou-se, mascarou-se tudo num arco iris do vai ficar tudo bem... Este viajante não vai querer viajar pela pandemia, apenas fazer mais um relato pelo que recentemente visitou, não muito longe, mas que deu para encher um vazio, recuperar a energia, limpar um bolorzinho da alma*. 
O viajante estava hesitante, mas a música acabou por ser o grande o motivador. Comprou bilhetes para ouvir  Andrea Bocelli. O concerto será em Coimbra, cidade que já visitou mas da qual ainda tudo não viu. O mapa automático levo-o direto a Alta e Sophia classificada como Património da Humanidade, desde 2013, aqui se incluem os edifícios da universidade, o pátio das escolas, a torre da cabra, a biblioteca joanina coroada por uma bela vista sobre o mondego. O viajante não se espanta porque já lá tinha estado e porque vem com outro propósito. O museu nacional Machado de Castro foi também ele abrangido pela classificação da UNESCO e tem um espólio denso, único e dos mais variado de Portugal. A visita inicia-se pelo Criptopórtico Romano que é impressionante por vários motivos: o primeiro tem que ver com a própria estrutura arquitetónica romana, construída para vencer o desnível da cidade com galerias de arcos e túneis super bem conservados. Ainda há pouco o viajante teve uma aula de cidade e centro histórico e foi mencionado este recurso arquitetónico, mas o viajante jamais imaginava percorrer estas galerias que espelham toda a firmitas, utilitas e venustas das construções romanas. Claro que é impossível não pensar nos retrocessos da humanidade, que avança e cria coisas eternas e que pela mesma condição retrocede, esquece e abandona. E este museu tem qualquer coisa de abandono. O museu está no coração da cidade de aeminium – o fórum romano e é curioso que há medida que subimos no edifício encontramos todas as épocas da história da arte. É a vez da idade média, da pedra de ança, dos grandes escultores Nicolau de la Chanterne e João de Ruão e não faltam Nossas Senhoras, Anjos e Santos e até um claustro gótico. O viajante está maravilhado, sente que precisaria de muito mais tempo, porque está diante de peças que já viu em tantos manuais, em antigos slides das aulas de história de arte, e encontra o cavaleiro. Aquele cavaleiro medieval que a memória logo remete para as aulas de história medieval portuguesa. Queria ficar mais tempo, mas há tanta coisa ainda a ver. Segue para uma área onde estão vários retábulos renascentistas. São enormes pertenciam a conventos e mosteiros da região. Lembra o convento de Santa Clara Velha inundado pelas águas do mondego que obrigaram a que se construísse um novo. Depois há um conjunto de esculturas em terra cota dedicadas à paixão de cristo, pinturas, trípticos, relicários, ourivesaria litúrgica e azulejos decorativos e didáticos (e destes nunca tinha ouvido o viajante falar) com os hemisférios celestes, fórmulas matemáticas e geométricas. Há mais salas e uma menção a Machado de Castro que foram vistas muito a correr e que deixaram com pena o viajante, ainda mais porque já não são horas de adquirir o livro/catálogo, as portas estão abertas para os visitantes abandonarem o abandonado museu. A alta e sophia não se encerrou há ainda uma sé aberta. Curioso, as cidades terem duas sés para um só bispo. Há cidades que transformam igrejas em sedes de bispado por ser recente a sua diocese e outras que uma não é suficiente. Ao que parece em Coimbra a velha sé românica é agora igreja paroquial e serve de cenário para as serenatas. O bispo tem a sua cátedra na igreja do antigo mosteiro das onze mil virgens, desde 1772, altura em que o marquês expulsou a Companhia de Jesus do reino. Correção! o marquês não. foi o rei D. José I. Os jesuítas expulsos, o cabido instalado acrescenta barroco à fachada e à capela mor, com os órgãos de tubos e outros retábulos que enchem os olhos dos visitantes. A leitura é do livro da sabedoria, uma das preferidas do viajante, e o celebrante sem ares de estrela rock, fala sobre os justos, a boa nova do novo testamento e sobre os que redivivem " Talita Cum".

* A cidade e as serras - Eça de Queirós;
* Sb 1, 13-15; Marcos 5, 21-53

sexta-feira, 16 de julho de 2021

euro 2020-21

 A squadra azurra venceu o campeonato europeu de futebol. A seguir claro, a Portugal era a minha equipa preferida. Este campeonato foi meio estranho mas ao mesmo tempo foi tão bom. Este blogue já dura há não sei quantos campeonatos e eu adoro sempre os hinos, a união entre jogadores, o ânimo que a festa do futebol transmite ( às vezes ânimo a mais) e o quanto entretém. Ver um estádio cheio de pessoas sem máscara a abraçarem-se num golo causa agora uma de duas reações eehhhhhhhhhhhhhhh e o quê o quê ??lá não há covid!!!!!!! Bom, a UEFA viu que este modelo de campeonato em não sei quantos países não funcionou ainda mais neste contexto de pandemia. A inglaterra estava à espera que a taça ficasse em Home mas ela foi para Rome. Eu que não vi futebol, todo um ano, a não ser o final da taça braga vs benfica vi quase todos os jogos e adorei que a itália tivesse sido a vencedora. 


A tutti voi Perché in questa incredibile avventura ci siamo portati dentro voi.Davanti gli occhi voi.Nei nostri cuori voi.Il dolore di chi ha sofferto. Le fatiche di quanti sono stati messi in ginocchio dalla pandemia. La voglia di tornare a vivere. I volti di donne, uomini, vecchi, giovani, bambini e di coloro che ci hanno salvato la vita: i medici. Ci avete spinto voi. Ci avete aiutato voi. Avete cantato con noi.Il risultato è solo una parte del gioco ma questo risultato, questa vittoria, queste lacrime di gioia sono dedicate a voi. Giorgio Chiellini

terça-feira, 6 de julho de 2021

Mnemosine *

Remorso por qualquer morte

Já livre da memória e da esperança ,
quase futuro, ilimitado, abstrato, 
não é um morto, o morto: ele é a morte.
Como esse Deus dos místicos, 
o morto ubiquamente alheio
é só a perdição e a ausência do mundo.
Roubamos-lhe tudo,
não lhe deixamos uma cor nem uma silaba:
é este o pátio que os seus olhos já não partilham 
e aquele o passeio onde perscrutou a sua esperança.
Até o que pensamos poderia ele pensar;
repartimos por nós como ladrões
todo o caudal das noites e dos dias. 

jorge luis borges





* deusa da memória
* memória, história e historiografia 
* historia magistra vita est

domingo, 30 de maio de 2021

identidade nacional *

 José Gomes Ferreira , o jornalista da sic decidiu escancarar a verdadeira história de portugal - o que os compêndios não dizem- com o objetivo de provocar os historiadores que calam ou consentem com a história oficial. Mas o seu principal objetivo é que não ensinem aos meninos da escola que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil em 1500 e que Portugal (port du gral) teve na sua formação os interesses papais com ajuda dos templários. E novidades???

Há um outro senhor jornalista que costuma escrever no facebook, tipo cartas abertas a pessoas por relação com datas importantes ou situações da atualidade. No inicio até gostava mas agora já acho batido. O mesmo posso dizer sobre josé gomes ferreira que tem tanto de lúcido como de presunçoso e pessimista em termos de economia nacional. Diz que há 2 anos que anda a navegar nas wikipédias desta vida e descobriu a verdade que o resto dos portugueses ignora.  A verdadeira HISTÓRIA de Por du Gral. 

1. Quem pensar na História conhece um cliché batidíssimo dos "fracos não reza a história" e porque será isso? 

2. Alguma dúvida que a História é injusta? Que quem a escreveu e escreve tem propósitos políticos e sobretudo propósitos de poder. Que os falhanços são tão bem escondidos em manhãs de nevoeiro cerrado.

3. Que os grandes feitos são exaltados sempre que é preciso dar ânimo e união a uma sociedade. Quantas vezes, neste tempo, não invocamos o heroísmo dos que "servem" as pessoas e o país. 

4. Mas para o senhor era importante mudar a data da descoberta/achamento do Brasil...porquê?? porque andam a vandalizar estátuas; porque a nossa história é lindíssima e as pessoas em geral , os professores em particular enganam os meninos na escola. E os canais de informação o que fazem?? e os historiadores o que fazem??? 

5. Tenho pena que nessa pesquisa wikipédia fora não tenha DESCOBERTO todos os estudos e debates que se fizeram no ano 2000 sobre as teorias muito fundamentadas por historiadores sobre a data de 1500. Também tenho pena que não tenha lido a História do Cerco de Lisboa do nobel José Saramago, se quiser fazer uma abordagem mais romanceada, sobre quem colaborou com D. Afonso Henriques na reconquista;

6. Os cavaleiros da ordem do Templo, assim como outras ordens religiosas e militares, tinham como mote a salvação dos infiéis, mas não foi por isso que se envolveram em guerras sangrentas. O que  os move é o poder que isso lhes confere e as terras que o rei lhes vai doar, numa relação feudo vassálica, típica da idade média. Uma imensidão pesquisável com palavras tipo : convento de cristo, tomar, castelo de almorol...etc e tal; Que o Papa era o chefe da igreja católica mas também um príncipe nos vastos condados e ducados de itália, sedento de onças de ouro e sem nenhuma vocação cristã, também não é novo. Por algum motivo ocorreu a reforma protestante, também ela corroborada por interesse de reis que se fartaram de doar e servir o papa. O Papa daquele tempo, não o Papa Francisco! 

7. A sociedade tem tido uma dificuldade imensa de olhar para o passado, com os valores e pensamentos que não os deste tempo e daí as confusões históricas , o vandalismo de iconografia, o desfasamento temporal. Mas no entanto reage com foram os portugueses e não os espanhóis ou os ingleses que chegaram a xyz...afinal? somos todos iguais ou há uns mais grandiosos que outros? 

8. Já estou a ficar cansada e temo que os pontos não cheguem a um fim. Termino, amanhã tenho aulas para dar. 

9. Da minha parte e seguindo a linha de um filosofo iluminista alemão «Sapere Aude»*

10. port du gral - dava um novo código da vinci- quem quiser que aproveite. 

* José Mattoso ( um livro de 67 páginas da Gradiva que explica tudinho com fontes históricas verdadeiras);

* Immanuel Kant « Ousa saber»

quarta-feira, 19 de maio de 2021

domingo, 25 de abril de 2021

47 anos de Liberdade


 Temos sempre que celebrar os acontecimentos de 25 de Abril, por muito que o tempo em que vivemos nos tire a força e a energia. O presidente da república falou na importância da História, da compreensão, da análise do passado e eu concordo, não podemos esquecer e temos que lembrar as vezes que forem necessárias que antes de 25 de Abril de 1974 existia censura, níveis de pobreza e iliteracia elevados; um único partido, uma policia politica, prisão sem julgamentos, e guerra. Os cravos de abril são vermelhos, mera casualidade, mas assim se devem manter e com eles a certeza que a democracia, com todas as suas falhas, é o sistema que nos permite a escolha e o livre pensamento. e neste dia temos sempre que lembrar a coragem de quem avançou e acreditou na mudança.

«Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou. Ora nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos» - Salgueiro Maia

sexta-feira, 23 de abril de 2021

sem título

Podemos ler todas as palavras e estar conscientes que a vida é uma graça passageira, que pese embora a memória de momentos felizes, há algo que nos esmaga quando sabemos que nunca mais iremos ver aquela pessoa. Isto é um pequeno exercício de catarse a ver se alivio esta dor, para a qual nunca estamos preparados. 

Este bom gigante tinha uma paciência infinita e uns olhos cor de mar. Ensinou-nos que o segredo para um bom bronze era “molhar e secar” e são tantos os episódios de ensino de deustch, do “há os carros e há os mercedes”, tantos momentos de verão na infância, no rio e na praia, de quanto adorava as minhas festas de aniversário e tantas as vezes que reviveu após duras provas.

Tinha uma amor gigante pela sua terra, à qual vai agora voltar. meine shatze.

sábado, 10 de abril de 2021

primavera


na melhor esplanada da cidade - livraria centésima página

segunda-feira, 5 de abril de 2021

não se pode explicar



Já falei aqui no blog várias vezes sobre o Caminho, da tanta vontade que tive, que tenho de o fazer. Esta  vontade  que se move pelo convencimento de que nunca vou e no tanto que preciso ir. Gostava de conseguir ir só , de não pesar a ninguém, de ter toda a força física necessária e aproveitar a paisagem, as pessoas, as pequenas igrejas românicas, os mosteiros ermos e a imensidão das catedrais góticas.  Cada vez que penso no Caminho tenho a sensação que  já o fiz...mas não me importava de ir pelo menos uma vez mais.