segunda-feira, 21 de setembro de 2015
domingo, 20 de setembro de 2015
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
vai o viajante # 4
Encontra o viajante o azul que
procurava. É um mar diferente, uma extensão de areal como já não lembrava que
as praias tem, um mar tipo rio imenso e tranquilo, mas sem cheiro a maresia. E
isso despraz o viajante que não se inibe em entrar e nadar naquele mar. Descansa
ao sol e ao silêncio embora haja tanta gente. Procura a cidade, encontra o
poeta, praças e ruas desenhas pelo iluminado marquês, que não sendo daquela
terra, lhe deu forma. O viajante já lá tinha estado e mal se apercebeu das ruas
rectilíneas paralelas umas às outras, tal era a confusão e o amontoado de lojas
de atoalhados que sempre marcam o comércio nas fronteiras. O comércio
mantém-se, mas organizado, as ruas têm vida e outro esplendor. Vai até à marina, do outro lado é Espanha.
" Encara, rindo, a vida que o tortura,
sem ver na esmola, a falsa caridade,
que bem no fundo é só vaidade pura,
se acaso houver pureza na vaidade.
Já que não tenho, tal como preciso,
a felicidade que esse doido tem
de ver no purgatório um paraíso...
Direi ao contemplar o seu sorriso,
ai quem me dera ser doido também
p´ra suportar melhor quem tem juízo."
António Aleixo in Este livro que vos deixo
terça-feira, 15 de setembro de 2015
always look on the brigh side of RICE
Paragem obrigatória para rest
ice compression and elevation. Nada que faça parte dos planos de alguém e que não
aborreça quem tem mais que fazer. Analisemos isto como fazem os jornalistas que
perecem não ter que fazer, e divagam sobre a foto do preso em domicílio a
assistir a debates, com não sei quantos amigos, quadros na parede, garrafas desalinhadas
e livros em prateleiras.
Ponto 1- não fosse o RICE eu
não sabia nada disto;
Ponto 2 - a televisão continua
a ter programas espectacularmente maus, com a excepção da rtp2, e do som de
cristal ;
Ponto 3 – eu não sabia que
tinha tanta coisa para fazer, voluntariamente falando, à frente do computador;
Ponto 4 – estava tão pouco
interessada na campanha eleitoral e agora, graças ao RICE, estou capaz de ler
todos os programas dos partidos, menos o da rapariga que gosta de aparecer nua em revistas e justifica-se não sei quantas
vezes na televisão ou em mais umas fotos. Nada contra, só que aquilo não é política
é vaidade, vendo bem, é tudo a mesma coisa, uma espécie de concatenar.
Ponto 5 – assim que as horas
de espera, no hospital, tenham ultrapassado as 5 inicialmente previstas, há que
manter a lucidez e ter uma caneta à mão para expor/ reclamar/ sugerir ( este
devia ter sido o primeiro ponto, mas quando é mau eu tendo a esquecer
facilmente);
Ponto 6 – ainda bem que fui à fnac e comprei a banda sonora certa “ quem me dera ir daqui pra fora” e os
diabo na cruz são mesmo fixes e ainda bem que chovia a potes e o concerto foi
cancelado e assim eu fiquei menos desconsolada;
Ponto 7 – encontrar um médico
tipo mr. charme que fala num sussurro e lança olhares magnéticos e sai-se com o
como dizem os ingleses RICE enquanto uma pessoa está com um aspecto de fugir;
Ponto 8 – já estou a dissecar de mais, isto assim até parece bonito, mas só ao fim de quatro dias, e porque chove muito, estou capaz de ver para além do negro que está no meu pé.
Ponto 8 – já estou a dissecar de mais, isto assim até parece bonito, mas só ao fim de quatro dias, e porque chove muito, estou capaz de ver para além do negro que está no meu pé.
domingo, 13 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
soror mariana alcoforado
Em 1810 é publicada uma nota no jornal francês L´Empire , de Paris em que surge o nome de Mariana como autora das já muito conhecidas Lettres Portuguaise, cinco cartas de amor dedicadas ao cavaleiro francês, Marquês de Chamily.
Mariana foi uma das religiosas de Santa Clara no convento da Conceição em Beja, onde entrou aos 11 anos e lá exerceu funções de porteira, escrivã e abadessa, e onde morreu aos 83 anos.
As cartas de amor são resultado da paixão sublime, não correspondida, pelo marquês que colaborou com os portugueses na Guerra da Restauração ( 1640-1668). Mariana que da janela do convento, assistia às manobras do exército ( 1667-68), deixou-se encantar pelo francês, que voltando à sua terra prometeu mandar busca-lá. Na sua espera, em vão, escreveu as referidas cartas que contam a sua história de amor não correspondido: de inicio a esperança, seguida de incerteza e , por fim, a convicção do abandono.
São vários os autores que contestam a sua veracidade e tantos outros que nela se inspiram.
Consagrei-te a vida desde que em ti descansaram meus olhos, e sinto prazer em sacrificar-ta. Mil vezes ao dia te procuram cansados suspiros e não trazem, os tristes, outro alívio a tantas tribulações do que o aviso cruamente sincero da minha desventura que não consente uma esperança e me repete a todos os instantes: deixa, deixa de consumir-te em vão, infeliz Mariana! Carta I
domingo, 6 de setembro de 2015
catarina eufémia
Depois de ler Anatomia dos Mártires de João Tordo, há dois anos, pensei que
da próxima vez em Beja teria que ir a Baleizão ver Catarina Eufémia. Lá estão
todos os símbolos e homenagens dedicados a alguém “para quem tudo pode ficar irremediavelmente perdido num único momento”
e o cenário (agora sem o trigo mas
pleno de olivais) em que Catarina Eufémia reivindicando trabalho e pão é
assassinada por um GNR que nunca foi julgado pelo seu crime. Coisas de um
regime sem liberdade. Momento trágico e ideal para se criar um mártir no meio
do Alentejo profundo e rural, mas fortemente politizado. Curioso é que este é o
único momento da história da ditadura portuguesa e dos movimentos clandestinos,
em que uns e outros estavam de acordo. A PIDE, por um lado propagando a sua
versão de que Catarina era militante comunista e assim estava justificado o seu
brutal assassinato; e o partido comunista (clandestino em 1954, mas com grande
implantação no meio rural) propagando precisamente a mesma verdade, sussurrada
na clandestinidade e gritada no pós 25 de Abril que Catarina foi militante do
partido e pela sua militância faleceu num campo de trigo de Baleizão.
Uma mártir eternizada pela dureza da
vida da época ou pela militância política? a resposta todos a podemos dar.
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