terça-feira, 3 de julho de 2018

sobre a fé


A incredulidade de S. Tomé - Caravaggio 1599/1600
"Porque me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto." Jo.20, 24-29

domingo, 1 de julho de 2018

sexta-feira, 29 de junho de 2018

há treinadores e treinadores

Os mundiais de futebol tem sempre aquela capacidade mágica de unir todo o mundo à volta de um acontecimento desportivo de entretenimento, onde as pessoas com a mesma facilidade se enervam e emocionam.  Menos aquele mundial das vovuselas.  Eu adoro os hinos, as bandeiras, as claques, o fair play dos adeptos que fazem festa e depois recolhem o lixo, as comemorações dos golos, as grandes defesas. Não gosto dos árbitros que cedem à pressão do var, nem de treinadores com vontade de lavar roupa suja, e acho um bocado forçado os que apelam a correntes de mãos dadas. 
Sobre Tabaréz, treinador do Urugai, só hoje li no diário de noticias que foi  diagnosticado com SGB - CIDP, somos 1 num milhão e um deles é treinador. É admirável como a vontade combate ou contorna todas as adversidades. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

vai o viajante # 17







Chega ao viajante a  Almeida, este destino compõe um outro que se publicita como 12 - uma referência às aldeias históricas que são o grande motivo desta viagem. Almeida é a  praça-forte de Portugal durante a idade moderna, apresenta uma muralha com a forma de uma estrela de 12 pontas, que ganhou forma em 1640 e que foi a grande defesa das terras das beiras contra as investidas dos espanhóis durante a guerra da restauração. Os exércitos franceses acabaram com a sua fama de inexpugnável e a invasão providenciou uma lenda com a intervenção divina em forma de neve, que consolaria os locais e apagaria o fogo de destruição deixado pelos franceses. Mas a aldeia é muito mais que a história militar é toda a paisagem que a envolve e um tempo que corre com calma. Pela porta da muralha segue para um outro destino. Estava hesitante se os 20 km que faria em sentido oposto valeriam a pena. E como valeram. A paisagem é um imenso mar verde, um tapete de vida, uma manta viçosa bordada aqui e ali por lavandas e outras flores selvagens. Um regalo para a vista e um conforto para a alma. Que poético vai o viajante! até que numa pequena colina avista Castelo Rodrigo . Gosta do nome. Dois pequenos torreões dão as boas-vindas a quem chega. Entra pelo porta do Sol e imediatamente parece ter entrado noutro tempo.  No casario em pedra misturam-se características medievais, manuelinas, árabes e nota-se a presença judaica ( tão frequente nestas terras raianas), vai ao castelo em ruínas, passa no adro da igreja, vê a cisterna, o pelourinho..aprecia a paisagem em volta e volta a surpreender-se. Fantástico. Dirige-se de novo à porta do sol, onde há pouco deixou passar a história da aldeia e que agora lê mas o que retêm tem que ver com um rei que muito admira. Então durante a crise de 1383-85 Castelo Rodrigo ficou do lado de Castela, como castigo D. João I ordena que o brasão ficasse com as armas reais invertidas e a vila dependente de Pinhel. Só D. Manuel manda repovoar a vila e refazer o castelo. Curiosamente uma outra vez posta à prova apresenta-se bastante activa na guerra da restauração da independência.  Ali ao lado a Casa de Chá onde quem "reina" é um françes..que dá provas das delicias da região amêndoas e figos secos. Leva algumas para o caminho. E segue para um lugar que de nome é formoso.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

hit tipo de verão



li algures, que depois dos 30 anos, as pessoas não reconhecem as músicas tipo hits.. e eu pensei ahhhh não basta ouvir rádio, que não a rádio sim, e está tudo actualizado. Só que não. A Dona Maria chegou até mim num sarau cultural de alunos do 1º ciclo em que pude retornar à infância com a história da velhinha e da cabaça ( que a propósito era a única que o meu pai sabia contar) e para o fecho um jovem com a sua guitarra soltou a música e foi o delírio das crianças a cantar aos berros e a saltar para o palco..eu o que é isssssstooooooo?? pelos vistos até já nem é assim tão actual..mas só agora é que descobri.

domingo, 24 de junho de 2018

verão

o dia do santo percursor, do aniversário da mi, dos 37 º graus, do desmaio em directo do presidente marcelo, das sardinhas e do manjerico, do dia mais longo, é o dia primeiro do solstício de verão e nada melhor do que estar na praia para o receber. O céu azul, o mar calmo a convidar ao mergulho, a água nada fria, a toalha estendida, o livro aberto, na pele o cheirinho a protetor solar..e fechar os olhos e ouvir só o som da onda a quebrar devagar..tão bom poder entrar de novo no mar, tapar o nariz e ir ao fundo, mergulhar a cabeça e nadar.

De todos os cantos do mundo
Amo com amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Shophia de Mello Breyner Andresen - Poesisa 1944

terça-feira, 12 de junho de 2018

vai o viajante #16





Chega agora o viajante a Viseu..nunca lá tinha estado. É a terra de Viriato, sabe-o desde a escola primária, mas entretanto esqueceu-se da atitude combativa que teve para com a ocupação romana das terras lusitanas ( entre 147 a 140 a.C) . Era líder de uns quantos focos de resistência e travava duras batalhas das quais sempre saía vencedor. Só não contava ser traído e assassinado ( em 139 a. C  pelos que lutavam a seu lado a troco de um grande prémio recebido em Roma). Curioso agora pensar nos louvores e estátuas que se erguem em honra de alguém  que havia sido "inimigo". Interpretações da história. A sua passagem por Viseu é breve e apesar de tanto ter que ver, o viajante vai no sentido da catedral, atravessa o Rossio,  a cidade parece-lhe familiar, e encontra a praça de D. Duarte - o rei Eloquente ( que aqui nasceu em 1391), e por trás da sua estátua um belíssimo varandim que compõe o edifício da catedral. A história desta  catedral  é  em tudo semelhante a outras. Remonta aos primórdios do reino, é intervencionada ao longo dos séculos por vontade de quem tem poder. O que se destaca e surpreende o viajante são as abobadas manuelinas das naves, obra decorrida entre 1505 e 1516 atribuída a quem? a quem ? João de Castilho, quem mais!! Aqui pensa o viajante nesta curiosa situação que tem que ver com a atribuição das obras aos seus hipotéticos autores e assim concluí : toda a obra arquitectónica e decorativa do gótico final e do manuelino pertence a Castilho. Toda a pintura do século XVI nos cânones do renascimento são de Grão Vasco e toda a obra barroca do norte é do italiano Nasoni, no caso do rococó André Soares!!! Certo que há obras assinadas, documentos e livros de assento, encomendas e encomendadores que anotavam e registavam..mas também há coisas que se perdem e características que se assemelham e por conta disso ganham mais obras os autores de mais fama. Quase que se perde o viajante de onde vinha..Ah sim as abobadas, num jeito manuelino que resulta numa grande corda com vários nós, como nunca havia visto. Depois sobre o altar-mor uma pintura do século XVII com figuras meio humanas, meio animais, repleta de volutas, flores e pássaros, à qual um grande especialista de arte, do nosso tempo, denominou por estilo grotesco. O contraste da pintura com a rigidez da pedra com nós, resulta numa maravilhosa cobertura de toda a catedral. Deseja o viajante que saibam todos os que por aqui passam olhar para o ar. Há ainda um elemento aqui que surpreende o viajante, uma relíquia de S. Teotónio, que foi o primeiro santo português. Segundo a informação ao lado da relíquia, Teotónio foi sacerdote, conselheiro de D. Afonso Henriques. Mais foi apurar o viajante o sacerdote nasceu em valença do minho, fez duas viagens à terra santa que o inspirou a fundar o mosteiro de santa cruz de Coimbra, e sempre recusou um maior poder como o cargo de bispo de Viseu. Resumidamente é isto. De frente para a sé está a igreja da misericórdia, que dentro não precisa de tempo para ser vista. Tem que partir o viajante, o dia já vai longo,  atravessa a porta do Soar com o seu arco de ogiva quebrado, de onde partia a muralha da cidade à qual deseja um dia voltar.