segunda-feira, 9 de setembro de 2019

é um sopro - tão sereno quanto forte*


11 de novembro de 2018  logo a seguir à fantástica série Sara encontrei José Tolentino Mendonça. O programa Afinidades convidou-o a propósito da sua nomeação para bibliotecário do vaticano. Bebi todas as suas palavras, apontei salmos, referências bíblicas, passagens do evangelho...e procurei, questionei, esclareci, sublinhei...a cada livro, a cada entrevista, a cada artigo, a cada personalidade ou personagem que apresenta, compreendo o sopro e a graça da sede e da vida.

"grava-me como um selo em teu coração
como um selo em teu braço
pois o amor é forte como a morte" - cântico dos cânticos

*que por estes dias será cardeal

domingo, 8 de setembro de 2019

e o fim das férias # livros


- Don Giovani ou o Dissoluto Absolvido, José Saramago;
- A Amiga Genial, Elena Ferrante;
- O Perfume, Patrick Suskind;
- O Milagre de Espinosa, Frédéric Lenoir.

 "Não zombar, não lamentar-se, não detestar, mas compreender" - Baruch Espinosa

* Henrique Pousão, 1882 - Esperando o Sucesso, MNSR


quinta-feira, 5 de setembro de 2019

as férias e o verão # e o que faltava











* palace hotel do bussaco;
*castelo de pombal;
*palácio nacional de queluz;
*forte de peniche-museu da resistência e liberdade;
* buganvília.

" O mundo é um livro, e aqueles que não viajam lêem apenas uma página. " - Agostinho de Hipona

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

e as férias e o verão # variações



O filme sobre o sonho e a vida de António Variações, da sua persistência, das suas adorações, e sobretudo da sua música. Apesar de ter que haver uma separação entre o real e o ficcionado é um contentamento ver no erã a sua forma de criar, de apontar letras, gerir ritmo, passar melodias..como é espectacular a versão da canção do engate, o sempre ausente, a teia, toma o comprido..e na lama. 

" é lá que eu vou estar, até te escutar" 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

e as férias e o verão # água






* apúlia, marinhas, viana do castelo, vila nova de cerveira.

" De facto, os homens podiam fechar os olhos ante a grandiosidade, ante o louvor, ante a beleza e fechar os ouvidos a melodias ou a palavras lisonjeiras. Não podiam no entanto, furtar-se ao odor , dado que o odor é irmão da respiração" - o perfume

terça-feira, 27 de agosto de 2019

e as férias e o verão # românico







* mosteiro de santa maria - pitões das junias, montalegre;
* mosteiro de s. bento de ermelo - arcos de valdevez.

"A grandeza  de um artista mede-se pela sombra que a sua obra deixa sobre todas as coisas." - adoração

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

e as férias e o verão # expo





* novas babilónias;
* surrealismo da fundação cupertino miranda;
*pure pop art.

"Talvez não interpretemos bem o quadro por termos perdido a moldura." - a leste do paraíso 

terça-feira, 13 de agosto de 2019

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

sky blue*


" Só Deus conhece todas as combinações da existência, mas só a nós cabe escolher a combinação de entre todas as opções" , estava assim escrito no primeiro livro deste verão - O Fio do Horizonte de Antonio Tabucchi,  e como têm sido intensas as leituras com a linha do horizonte no olhar.
livros - A mística do instante ( josé tolentino mendonça), As pequenas memórias, relido ( josé saramago), A brasileira de prazins ( camilo castelo branco), A sibila ( agustina bessa luis), Ele foi Mattia Pascal ( luigi pirandello), Manual de escrita e caligrafia ( josé saramago), Do espiritual na arte ( wassily kanisdky), no momento História do bom Deus e outros contos ( josé maria rilke).
música - álbum quinto de antónio zambujo, todas as da rádio sim e da radio renascença onde passam os grandes hits dos anos 90 tipo r.e.m , rádio macau, richard marx,..
filmes e séries- nada a declarar.

* Kandisky, Sky blue, 1940

quinta-feira, 18 de julho de 2019

josé e pilar


Vida: existência efectiva , movimento da matéria em estado de organização , agitação, actividade, movimento;
Morte: ter estado e já não estar.

Com palavras directas simples e sentidas Saramago distingue a vida da morte, fala  sobre a sua subida à montanha branca em Lanzarote , do amor por Pilar ( que não o deixou  morrer no ano das doenças) que o “obrigou” a voltar ao movimento, à escrita da viagem do elefante Salomão , a assistir ao filme “ensaio sobre a cegueira” e a ficar emocionado por estar vivo e poder gozar desse momento. No ano da sua recuperação 2008, voltou a azinhaga, apresentou o livro que lançou em Portugal e Espanha em simultâneo ( graças a pilar).  Portugal reconheceu-lhe o valor que o cínico do Cavaco lhe tirou. E pese embora o não menos cínico  Sócrates,  se por nada mais se lhe possa reconhecer  mérito que seja por Saramago ter  ficado formalmente em paz com o seu país. 
Pilar, pilar de Saramago, a sua mulher forte, decidida, plena de sentido prático e critico, tornou-se presidenta da fundação e será para sempre uma embaixadora do seu legado e do seu nome. Em 2009 numa apresentação no Rio de Janeiro Saramago diz que se tivesse morrido antes de ter conhecido Pilar, tinha morrido muito mais velho que com 86 anos.  
Nessa noite sonhei com Saramago não me saiu do pensamento o documentário de Miguel Gonçalves Mendes . E como estou feliz por ter ido à azinhaga e à fundação, e ter lido duas vezes a viagem do elefante e achar que vou voltar a ele. Como gostava de ir a Lanzarote e ao  mesmo tempo de como não se pode perder a vida preparando uma viagem que jamais faremos.

“ Pilar, encontramo-nos noutro sítio”

quarta-feira, 10 de julho de 2019

cíes


" As infinitas obras da natureza estão interligadas numa unidade cheia de padrões maravilhosos" 



leonardo da vinci 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

os veraneantes*


Debaixo do pano azul e branco reencontram-se os veraneantes. Estão mais velhos, mais magros,mais crescidos, mais fortes , mais frágeis. É altura de expor as  causas, desabafar mágoas de inverno, conquistas primaveris,  sustos de outono. Enquanto a sibila envelhece nas páginas volvidas, vem-me à lembrança os modos e as conversas, de quem mudou durante um ano. Aquela fila, sempre com os mesmos é uma interessante amostra da sociedade. E se é junto ao mar que encontro o silêncio, a frescura e a leveza que preciso é debaixo do pano azul e branco que as palavras de Agustina encontram sentido: " São os espíritos superficiais que mais crêem nos êxitos retumbantes, nas fórmulas fáceis para vencer, pois isso lhes lisonjeia a incapacidade e a fraqueza de vontade. Os lances engenhosos, em que se torce a moral para obter um mais rápido efeito, conseguem grande público.Mas a vida, cujas leis são infinitamente mais sóbrias, mais puras que as dos homens, não as aceita” . E nisto está um dia acabado de passar com outros veraneantes, num cenário diferente, uns mais iguais, mais profundos, mais autênticos, com outros que apostam (meio que ingenuamente) nas formulas fáceis e torcidas, mas pouco válidas para mim. Há bens maiores como a alegria, o não ter outro remédio a não ser contemplar o mar cristalino, a brisa e a nuvem que encobre o sol, o conto e as palavras de nereidas ou sibilas. 
gracias 
a la vida que me ha dado tanto

* peça de teatro de Gorki
* un dimanche aprés-midi sur l´ile de la  grande jatte - georges pierre seurat
*joan baez

quarta-feira, 3 de julho de 2019

sucession*


*kandisky, 1935
* o dia do património cultural 

terça-feira, 2 de julho de 2019

a Salgueiro Maia *

Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vicio
Aquele que foi "Fiel à palavra dada á ideia tida"
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse.

Sophia de Mello Breyner Andresen

* 01.07.1944, Castelo de Vide 
*o Homem que pôs a revolução em ordem 
*o documentário da rtp que assinalou o 75ª aniversário do capitão de abril 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

aquela casa fechada *

Por muito tempo amarei casas que existam apenas
para guardar uma bicicleta ou os remos de um bote
As casas interessantes não tem pretensão nenhuma
estão perto de nós na hora necessária
mas a qualquer momento
com mais clareza
afastam-se das certezas que perdemos
e da imensidão que se avista de lá.
Um velho provérbio diz:
se deres um passo atrás, talvez te coloques a tempo
de uma estação clemente. *

A imensidão da minha infância foi naquela casa, naquele terreiro, naquele quintal. Já era velha naquele tempo em que não se exigia luxo e só imperava necessidade. Não me lembro de frio ou calor, mas nunca esqueci as cores das paredes toscas, o tecto em madeira, a janela da cozinha, o sofá da sala que combinava com a cortina que dividia um espaço. Lá fora o terreiro e o tanque, o quintal com laranjeiras, as flores da avó e as vizinhas. Havia uma que não esqueço. Tinha nome angelical, ouvia quase nada e perto do meio-dia vinha perguntar as horas. Tratava o meu pai por menino. As alminhas picavam-lhe imenso, arregaçava  as várias camadas de  roupa e coçava a pele até abrir ferida. Depois veio a necessidade de espaço com divisões e maior conforto. E na casa velha ficaram as bicicletas. E mais ninguém. 

aquela casa fechada,
onde o sol tinha morada
e entrava sem saber

* antónio zambujo 
* viajante sem sono - josé tolentino mendonça


quinta-feira, 6 de junho de 2019

que sejas feliz todos os dias da tua vida

Sobre Santiago e o seu caminho já muito aqui disse..quase todos os dias, com muita satisfação,  desejo bom caminho a quem vem de passagem carimbar a sua credencial e nesse pequeno gesto  surgem às vezes  conversas que fazem de mim uma pro no caminho. Não consigo mentir. "Não nunca fui". Só falo em teoria. Não falo do motivo ( não os quero carregar). Ontem foi diferente.  Um peregrino queria ficar na cidade mas alguém lhe disse que os hotéis estavam todos cheios por conta do futebol. Indiquei-lhe o albergue, sorriu como quem ganha o dia, e hoje voltou para agradecer, para me oferecer algo que pode ter tudo ou nada. Falamos sobre a sua terra, ficamos a ver a força da chuva, ofereci-lhe um santo antónio e ele partiu com a frase :" que sejas feliz todos os dias da tua vida."
Isto é o caminho. 

"Esperamos sempre Deus no máximo e esquecemo-nos que ele nos visita no mínimo. Quando os monges budistas dizem que Deus está no grão de arroz, há nisso uma grande verdade. É no pequeno, até no insignificante, no mais quotidiano, que Deus nos visita." - josé tolentino mendonça 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

o prometido é devido*

*09.05.2019
* e todas as outras músicas, os músicos, o show de guitarra ( que deve ser a forma desta gente curtir fazer concertos) e os backvocals...

quarta-feira, 15 de maio de 2019

una carezza nel buio*

Una volta sentii Andrea Bocelli dire una cosa meravigliosa: il mondo è pieno di male, ma se nonostante tutto rimane in piedi, è perché di bene ce n’è un po’ di più. In un piccolo paese chiamato Consuma, un pugno di case sparpagliate sull’Appennino toscano, tutte le mattine il signor Romano solleva dal letto le sue ottantaquattro primavere, le sistema dentro l’automobile e passa a prendere un bimbo ipovedente di sei anni per portarlo a scuola. Un’impresa tutt’altro che semplice, racconta Giulio Gori sul Corriere Fiorentino: la scuola si trova quindici chilometri più in basso e per raggiungerla bisogna percorrere una strada a zig-zag, impostando curve strette e scalando marce di continuo. Quindici ad andare e quindici a tornare, due volte al giorno, dal momento che il signor Romano va pure a riprenderlo al termine delle lezioni. Perché lo fa? Il bambino ipovedente non è suo nipote. Non è nemmeno il nipote di un suo amico. È il figlio di un taglialegna macedone che lavora nei boschi e non ha tempo per portarlo a scuola. Il piccolo non può usufruire del servizio bus del Comune: manca l’accompagnatore richiesto per i disabili. E così ci pensa il signor Romano. Lui dice che a 84 anni la fatica è tanta, ma è ricompensata dalla visione del suo minuscolo passeggero mentre saluta i compagni a uno a uno, accarezzandoli sulla faccia per riconoscerli. Bocelli ha ragione. Grazie al signor Romano e a quel bambino, il mondo ricomincerà anche domattina.

* uma carícia no escuro;
* a língua italiana com a qual se atende turistas e que permite ler artigos do jornal corriere della sera 

terça-feira, 7 de maio de 2019

descobri piqueras *

Copos de sede

Se duvidas da tua sede, não te atreves
a perguntar-lhe ou a dar-lhe um nome,
se só sabes que procuras água
que a sacie e não encontras senão um poço,
e neles ecos te chamam, bebe.

Se a sede ao beber desaparece
é porque era só sede. Continua a procurar.

Mas se cresce em ti quando a sacias,
se queres não deixar de ter sede
e sim continuar a beber dia e noite
copos de sede, não duvides:
podes chamar-lhe amor, continuar sofrendo
e saber que não existe quem te guie.

*instruções para atravessar o deserto

domingo, 5 de maio de 2019

mãe mãe mãe mãe mãe mãe


estou aqui à espera de nada*


Estar à espera associa-se a uma impaciência desesperante. Eu não gosto de estar à espera, do mesmo modo que não gosto que esperem por mim ( tipo é as 10, eu estou às 10 e desejo que os outros estejam às 10) , embora tenha sempre um período de tolerância e paciência extra mas limitada.
Esta espera , revelada por José Tolentino de Mendonça, é de outro tipo. Estar disposto a conhecer, a contemplar tudo o que está à nossa volta e nos preenche enquanto esperamos nada.  

livros - o falador (mario  vargas losa) , o passado é um país estrangeiro (ali smith) , eu e tu (niccolo amamantini) , o sentido do fim (julian barnes), o pequeno caminho das grandes perguntas (josé tolentino mendonça),  capítulos e versículos da bíblia; 
música - todas de simon and garfunkel (outra vez), piece of my heart, maybe, me and boby magge, cry baby etc jannis joplin, i say a little paryer artetha franklim, e todas do zeca afonso e todas da rádio sim; 
filmes -  amadeus, no portal da eternidade ( van gogh),  a favorita,  greenbook, maria de magdala, a mula, as pontes de madison county,  the wife, il nuovo cinema paradso, la pazza gioia, miss you already..
séries - todas da rtp2 : jogos de poder, comissário montalbano, visita guiada, literatura aqui...

"A imensidão não se pode perder" lema de Emily Dickson sobre o desejo de viagem por um sucessão de lugares onde nunca foi e a inquietação de um peregrino. 

* do pequeno caminho das grandes perguntas
* monet, ponte japonesa 1899 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

de quem é o 25 de abril ?

os 45 anos de liberdade devem-se a quem? os de esquerda dizem que é só seu, os de direita também o querem "reivindicar" ...de quem é? de quem lutou clandestinamente? de quem foi preso sem julgamento? quem foi torturado? de quem se exilou? dos capitães descontentes ? ou do povo "que mais ordena"? podia fazer mais umas quantas questões mas não me parecem relevantes, apenas porque os protagonistas e as suas distintas motivações conduziram ao fim de um regime ditatorial onde não havia liberdade, e de todas as liberdades que prezo e estimo, a maior de todas é a liberdade de escolha. Podemos escolher. Mas a maioria de nós não o faz. São os mesmos que dizem mal de todos os partidos e seus políticos, que não acreditam nas instituições, nos direitos consagrados por leis, mas que na primeira oportunidade sugam o estado, sem dar nada ( não estou a falar dos impostos), sem querer nada, a não ser demitir-se de um direito que gente de esquerda e direita alcançou. 
e eu que não gosto nada desses ...supero, ultrapasso por um bem maior ( mas continuo a achar que do mal deve escolher-se o menor). Que se escolha. 
Viva a Liberdade.
Viva o 25 de Abril.
O 25 de Abril é meu. 

quinta-feira, 21 de março de 2019

dia da poesia*

* poesia ao centro no hospital; 
* diz que não era para mim;
*mas eu acho que sim. 

quarta-feira, 20 de março de 2019

12

12 é só um número, este serve para  contabilizar o tempo. O mesmo que passou vagarosamente e agora voa, o mesmo que não controlamos, o mesmo que as pessoas adoram evocar como desculpa quando não querem ir/estar/fazer alguma coisa. O tempo aqui é só para justificar a experiência no tema força de vontade. No P3 Rui Machado, escreveu Força de Vontade, o caraças  provando que ela não é de todo o factor determinante para alguém atingir objectivos a que se propõe.
Este blogue também vai longo e acho que já aqui falei dele , naquela frase que toda a gente diz : " é preciso é força de vontade"...entre desejo de melhoras e o "pra vir é depressa mas pra ir..." com um ligeiro trhiiiiiichhhh e uma torção facial moderada (agora pensando nisto e descrevendo parece que já vi a cena em vários filmes antigos portugueses). Cabe agora aqui uma expressão com a qual culmina tudo e que serve para várias ocasiões - paciência . Avante.
Eu ficava meia em choque quando usavam essa da força comigo porque não achava válido que alguém que estivesse mal não tivesse vontade de ficar bem. Achava que isso da força era intrínseco, que  não era necessário procura-la por aí...Ao fim destes anos sei. Sei que há gente, sem culpa, que não a encontra. Acho que são poucos mas para estes será com certeza mais difícil. Como refere o autor " há gente cheia de força de vontade em suas casas".  Porque a força de vontade teoricamente move montanhas, mas não trepa degraus não abre portas, não entra num transporte público, não faz cumprir a lei. 
é o caraças. 

terça-feira, 19 de março de 2019

azul


Acordei e senti-me velha. No espelho vi-me velha. Onde foi o sentido da jovialidade que me acorda todos os dias? Deixou-me hoje. Só por hoje, em que deixei entrar um raio de tristeza, misturado com o vazio do azul. O azul tem por regra o conforto, mas hoje não. Hoje aumenta o vazio da existência, onde a satisfação e alegria não entram. Nos outros dias, que não hoje, a melancolia é afastada e a busca da simplicidade enche o coração. Mas hoje não. Hoje o céu não é cinzento, mas azul vazio, azul inquietante, azul que envelhece.

* vicent van gogh - oliveiras com alpilles ao fundo, 1889

sexta-feira, 8 de março de 2019

certifiquem-se que usam pó para fixar a maquilhagem

O artigo de opinião de Marisa Matias no DN, faz uma associação entre um conselho dado num programa emitido pela televisão pública marroquina (como disfarçar marcas de agressão com maquilhagem) na véspera do dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres . Nem de propósito a associação de juízes de portugal, propõe um workshop de maquilhagem para assinalar o dia 8 de março - dia internacional da mulher. O mesmo em que se assinala ou recorda mulheres que morreram por lutarem pela igualdade de condições de trabalho.
Curioso como tudo pode ser disfarçado. A pequenez dos que não respeitam os seus pares, a mesquinhez dos que não a punem e a leveza com que tudo pode ser branqueado ou melhor dizendo maquilhado.

quinta-feira, 7 de março de 2019

these are a few of my favorite things






a tua voz chega com a luz
e com tudo o que a pode entender
pega no passado e limpa-o
dá-lhe a transparência do presente

o nosso presente cada dia. 
sophia de mello breyner andresen

terça-feira, 5 de março de 2019

vai o viajante #18


O viajante tinha prometido que voltava a Amarante para  ver Amadeu e voltou. O museu que acolhe algumas das suas obras é fantástico e acolhedor. Por conta das celebrações do centenário da sua morte, estavam expostas duas obras vindas da Fundação Caloust Gulbenkien: a cosinha de manhufe e a máscara de olho verde. O viajante sentiu que ganhou o dia. Além de Amadeo há obras extra do movimento modernista português e nomes incontornáveis como júlio pomar, paula rego e uma descoberta recente para o viajante João Vieira ( que inspirado nos movimentos franceses, associa poesia e pintura). Recordou um poema inspirador deste artista : *

La chair est triste, hélas ! et j’ai lu tous les livres.
Fuir ! là-bas fuir ! Je sens que des oiseaux sont ivres
D’être parmi l’écume inconnue et les cieux !
Rien, ni les vieux jardins reflétés par les yeux,
Ne retiendra ce cœur qui dans la mer se trempe,
Ô nuits ! ni la clarté déserte de ma lampe
Sur le vide papier que la blancheur défend,
Et ni la jeune femme allaitant son enfant.
Je partirai ! Steamer balançant ta mâture,
Lève l’ancre pour une exotique nature !

Un Ennui, désolé par les cruels espoirs,
Croit encore à l’adieu suprême des mouchoirs !
Et, peut-être, les mâts, invitant les orages,
Sont-ils de ceux qu’un vent penche sur les naufrages
Perdus, sans mâts, sans mâts, ni fertiles îlots…
Mais, ô mon cœur, entends le chant des matelots !

Viu tudo e voltou de novo a Amadeo. Seguiu a sua cronologia, a vida em Manhufe, o apoio do tio, o  estudo de belas-artes em Lisboa, a partida para Paris, o casamento com Lúcia ( fiel depositária da sua obra)  o regresso ou a guerra e a morte em Espinho.
O viajante lembra os tempos de história de arte com uma professora muito querida mas muito fã do barroco e pouco conformada em ensinar, no semestre seguinte, arte contemporânea. Valeu-lhe um outro encorajamento para se confrontar com a complexidade e valor das cores e das formas. Amarante fica. A viagem continua... em retrocesso cronológico. 

* máscara de olho verde, 1915
* stéphane mallarmé, 1865 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

domingo, 27 de janeiro de 2019

memória


"Foram precisamente as privações, as pancadas, o frio, a sede, durante a viagem e depois; Não a vontade de viver, nem uma resignação consciente : pois são poucos os homens capazes disso, e nós mais não éramos que uma vulgar amostra de Humanidade." 

sábado, 19 de janeiro de 2019

para não variar


Todos os anos acontece.."mete-se o natal e de modos que só para janeiro". E agora?  que dizer? é tarde para formular desejos e fazer balanços, embora sempre me persiga a mania de inventariar tudo, guardar bilhetes, postais, escrever as frases de um livro, organizar tudo na caixa dos tesouros que se estende até este blogue ou as que ficam só nos cadernos de apontar a vida. Há uns tempos que algo mais me persegue.
Calma. é só uma ideia. Esta ideia dos círculos de kandisnsky neste imenso espaço universal onde todos estamos. esta ideia de que está tudo unido, interligado, que tudo faz parte de um todo, que começa e acaba mas que reinicia, recomeça, redivive...e que ultrapassa as diferenças, as perdas, as linhas retas e simples, os torneados floridos, a pedra lisa ou a trabalhada, a guerra e a paz..mas não as dificuldades e os obstáculos, esses só podem ser vencidos pela vontade " tismshel" e por um mistério infinitamente superior, que permite ao Homem "olhar de frente tudo o que é grande". 

segue-se o inventário dos últimos tempos:  
livros - a bagagem do viajante (josé saramago), o hipopótamo de Deus ( josé tolentino mendonça), o cavaleiro da dinamarca (sophia de mello breyner adresen), contos de natal (charles dickens) 
a substancia do amor e outras crónicas ( josé eduardo agualusa), a leste do paraíso ( jonh steinbeck) ;
séries - il paradiso di signori, norte e sul, sara, o barão negro;
filmes- roma, bird box, vaiana, idade do gelo, à procura de dory, la la land; 
música- the boxer (simn and garfunkel), wednsday morning pm (simon and garfunkel), mrs robinson (simon and garfunkel) ou todas do cd the essencial dos mesmos, non so degno  di te ( gianni morandi), piu bella cosa non che ( eros ramazzoti), new light (jonh mayer); 
e
tudo o que nos faz tombar do cavalo e nos ergue dos infundos do sofá doméstico.